POLÍCIA PENAL: ESTRUTURA CRESCE, MAS A EFICIÊNCIA PRECISA APARECER.

Na Diretoria Geral da Polícia Penal: a estrutura prevê, entre outros postos, 22 Assessores II, 60 Assistentes Técnicos II, 22 Assistentes IV e 66 Assistentes II. Esses números constam do quadro demonstrativo da estrutura da SAP.

A pergunta que precisa ser feita é direta:

Se existem tantos cargos destinados ao assessoramento, assistência técnica, chefia e gestão, por que tantas demandas do sistema penitenciário continuam demorando para ser resolvidas?

UMA MÁQUINA ADMINISTRATIVA QUE PRECISA SER EXPLICADA.

A Polícia Penal de São Paulo foi oficialmente instituída como órgão permanente de segurança pública pela Lei Complementar nº 1.416/2024. A legislação atribui à Polícia Penal responsabilidades de organização, administração, coordenação, inspeção e fiscalização dos serviços policiais penais.

É justamente por isso que a discussão sobre a estrutura administrativa precisa ser séria.

Não se trata de atacar o servidor que ocupa uma função de confiança. Muitos desses profissionais trabalham e desempenham suas funções com responsabilidade.

O problema está em outro lugar:

qual é o resultado produzido por uma estrutura administrativa tão grande?

Se o Estado cria cargos para tornar a administração mais eficiente, o cidadão e o servidor precisam perceber essa eficiência na ponta.

Mas não é isso que muitos policiais penais relatam no cotidiano.

Processos que se arrastam. Demandas funcionais que demoram. Respostas administrativas que levam meses. Excesso de setores e encaminhamentos. Procedimentos que passam por várias mãos antes de chegar a uma solução.

E diante disso surge uma pergunta inevitável:

Estamos criando uma estrutura para acelerar a máquina pública ou apenas aumentando o tamanho da própria máquina?

MAIS CHEFIAS, MAS E A RESPOSTA PARA OS SERVIDORES?

Enquanto a estrutura administrativa é organizada com centenas de cargos e funções, o policial penal que está na ponta continua esperando respostas para problemas que afetam diretamente sua vida funcional.

Promoções, evolução funcional, movimentações, direitos, procedimentos administrativos, condições de trabalho e outras demandas da categoria não podem ficar presos indefinidamente em uma burocracia que deveria justamente existir para solucionar problemas.

A administração pública precisa estar a serviço de quem trabalha e da sociedade.

Não pode acontecer o contrário: o servidor trabalhando para alimentar uma máquina burocrática que demora para responder ao próprio servidor.

O SINDICATO PRECISA COBRAR TRANSPARÊNCIA

É papel das entidades sindicais cobrar explicações.

Não basta discutir reajuste salarial ou condições de trabalho.

Também é necessário questionar como o dinheiro público está sendo utilizado e qual é o resultado efetivo dessa estrutura administrativa.

A categoria precisa exigir respostas objetivas:

Qual é o custo anual dos  cargos e funções?

Quantos estão efetivamente ocupados?

Quantos servidores estão lotados nessas estruturas?

Qual é o salário ou remuneração correspondente a cada nível?

Quais são as atribuições efetivas de cada cargo?

Existem funções com atribuições semelhantes?

Quanto tempo, em média, leva para uma demanda funcional ser solucionada?

Quantos processos permanecem pendentes?

A criação dessas estruturas reduziu ou aumentou a burocracia?

Essas informações precisam ser públicas.

A POLÍCIA PENAL PRECISA DE ESTRUTURA, MAS PRECISA DE RESULTADO

É evidente que uma instituição do tamanho da Polícia Penal necessita de administração, planejamento, tecnologia, recursos humanos, logística, inteligência, corregedoria e assessoramento.

A própria legislação estabelece diversas competências administrativas e operacionais para a nova Polícia Penal.

O questionamento, portanto, não é contra a existência de estrutura administrativa.

O questionamento é contra uma estrutura que não consiga entregar respostas rápidas e eficientes.

Porque cargo público não pode ser confundido com eficiência.

Mais cargos não significam automaticamente melhor serviço.

Eficiência se mede pelo resultado.

QUEM ESTÁ NA PONTA NÃO PODE SER ESQUECIDO

O policial penal está dentro das unidades prisionais, enfrentando diariamente uma realidade complexa e pesada.

É esse servidor que garante a segurança dos estabelecimentos penais.

A Lei Orgânica da Polícia Penal atribui à instituição justamente a responsabilidade pela segurança dos estabelecimentos penais do Estado.

Por isso, a prioridade precisa estar clara.

Se existe recurso para ampliar estruturas administrativas, também precisa existir recurso, planejamento e vontade política para solucionar os problemas de quem está na linha de frente.

Diretoria Geral da Polícia Penal, o decreto prevê, entre outros, 22 Assessores II, 60 Assistentes Técnicos II, 22 Assistentes IV e 66 Assistentes II,

 Discussão pública.

Quanto custa?

Para quê serve?

Qual resultado entrega?

A administração ficou mais rápida?

O policial penal passou a ter suas demandas atendidas com maior rapidez?

Se a resposta for positiva, que o Governo que apresente os números.

Se não for, é hora de rever a estrutura.

O serviço público não pode ser medido pela quantidade de cargos criados, mas pela capacidade de resolver problemas.

A Polícia Penal precisa de valorização, efetivo, estrutura e gestão. Mas, acima de tudo, precisa de eficiência.

Porque o servidor que está na ponta não pode continuar esperando meses por uma resposta enquanto uma enorme estrutura administrativa deveria existir justamente para fazer essa resposta chegar mais rápido.